Biologia sintética x Biologia tradicional, Biorremediação, Biotecnologia no setor alimentício, Aplicações da biotecnologia na produção de energia renovável, Biorremediação

 Biologia sintética x Biologia tradicional


Biologia Tradicional

A biologia tradicional se concentra no estudo e compreensão dos organismos vivos e seus processos naturais. Isso inclui áreas como a genética, a ecologia, a fisiologia e a evolução. Os biólogos tradicionais observam, descrevem e analisam os sistemas biológicos para entender como eles funcionam. Eles frequentemente utilizam técnicas como a clonagem molecular, a PCR e o sequenciamento de DNA para estudar genes e suas funções.


Biologia Sintética

A biologia sintética, por outro lado, vai além da simples observação e análise. Ela aplica princípios da engenharia para projetar e construir novos sistemas biológicos ou redesenhar os existentes. Isso pode incluir a criação de novas enzimas, circuitos genéticos e até mesmo organismos inteiros que não existem na natureza.


CRISPR-Cas9

Um exemplo notável de biologia sintética é o CRISPR-Cas9, uma ferramenta de edição genética que permite modificar o DNA de maneira precisa. Utilizando uma sequência de RNA guia, a enzima Cas9 corta o DNA em pontos específicos, permitindo a inserção, remoção ou substituição de segmentos de DNA. Essa técnica tem aplicações em diversas áreas, incluindo a correção de mutações genéticas e o melhoramento de plantas e animais.


Eletroporação

Outro método importante é a eletroporação, que utiliza pulsos elétricos para aumentar a permeabilidade da membrana celular, permitindo a entrada de moléculas como DNA, RNA ou proteínas na célula. Esse método é amplamente utilizado para introduzir material genético em células para pesquisa e desenvolvimento de terapias gênicas.


Comparação

  • Objetivo: A biologia tradicional busca entender os sistemas biológicos, enquanto a biologia sintética visa projetar e construir novos sistemas biológicos.
  • Métodos: A biologia tradicional utiliza técnicas como clonagem molecular e sequenciamento de DNA, enquanto a biologia sintética emprega ferramentas como CRISPR-Cas9 e eletroporação.
  • Aplicações: A biologia tradicional é fundamental para a pesquisa básica e a compreensão dos processos naturais, enquanto a biologia sintética tem aplicações práticas em biotecnologia, medicina e agricultura.

Imagem Demonstrativa

Biotecnologia no setor alimentício

Embora o uso de organismos vivos para preparar alimentos seja antigo, a biotecnologia hoje representa um avanço incomparável com as técnicas empregadas séculos atrás. Com a aprovação da Lei de Biossegurança, em 2005, houve um aumento significativo das tecnologias geneticamente modificadas.
Essa é, sem dúvida, uma ótima notícia. Afinal, a biotecnologia na indústria alimentícia beneficia não apenas o setor produtivo, mas a todos — fornecedores e consumidores finais. Abaixo, listamos os principais impactos e as vantagens das tecnologias utilizadas para modificar geneticamente os alimentos. Acompanhe!

  • Redução de perdas

Modificações genéticas tornam os alimentos mais resistentes a pragas e mudanças climáticas, de forma a reduzir o desperdício e, ainda, aumentar a produtividade. Assim, a biotecnologia contribui para o fornecimento de alimentos com preços mais justos ao consumidor final sem que a qualidade de cada item seja prejudicada.

  • Produção de alimentos atrativos e saudáveis

Hoje em dia, bolos, iogurtes, pães e outros alimentos são sintetizados industrialmente com o auxílio de fungos, leveduras, algas e até bactérias e determinados tipos de vírus. Inclusive, os microrganismos ajudam a produzir substâncias que adicionam cor, consistência e textura aos produtos, além de realçarem o sabor.

Tem mais. O uso de enzimas na fabricação de pães, por exemplo, reduz o processo de envelhecimento, logo, mantém esses alimentos frescos por mais tempo. É possível ainda aumentar a produtividade na extração da polpa de frutas utilizadas para preparar sucos e vinhos. Tudo isso garantindo a entrega de itens saudáveis ao consumidor.

  • Criação de superalimentos

A biotecnologia na indústria alimentícia possibilita ainda a criação de alimentos supernutritivos. O feijão, por exemplo, pode apresentar mais ferro e zinco, já a batata-doce, o milho ou a mandioca podem ser potencializados com betacaroteno, ao passo que o óleo de soja pode conter ômega 3. O nome dessa técnica é biofortificação, e ela tem respaldo em lei.

Essas são algumas das aplicações da biotecnologia na indústria alimentícia. Como vimos, não é de hoje que tal conhecimento é implementado em setores da cadeia produtiva, beneficiando desde os fabricantes aos consumidores finais. Portanto, é preciso investir nas tecnologias de alimentos para avançar ainda mais e entregar ao mercado produtos com enorme diferencial competitivo.

A seguir, serão apresentados alguns exemplos de como a biotecnologia está sendo utilizada na indústria alimentícia:

Alimentos transgênicos: Uma das aplicações mais conhecidas da biotecnologia na indústria alimentícia é o desenvolvimento de plantas geneticamente modificadas. Essas plantas são criadas para apresentar características específicas, como resistência a pragas e doenças, maior produtividade e teor nutricional aprimorado. Alguns exemplos de alimentos transgênicos que já estão disponíveis no mercado são a soja, o milho e o algodão.

Desenvolvimento de Alimentos: entenda cada etapa de pesquisa |  foodconnection.com

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Aditivos alimentares: A biotecnologia também tem sido utilizada para desenvolver aditivos alimentares, como enzimas e aromas. As enzimas podem ser utilizadas para melhorar a textura e consistência de alimentos, enquanto os aromas podem ser utilizados para melhorar o sabor e o aroma de alimentos processados.

Alimentos funcionais: A biotecnologia tem sido utilizada para desenvolver alimentos funcionais, que contêm componentes bioativos capazes de melhorar a saúde do consumidor. Alguns exemplos de alimentos funcionais que já estão disponíveis no mercado são iogurtes enriquecidos com probióticos, que ajudam a melhorar a saúde intestinal.

Mukhina1/iStock


Alimentos processados: A biotecnologia tem sido utilizada para desenvolver tecnologias que permitem a produção de alimentos processados de forma mais eficiente e sustentável. Por exemplo, as tecnologias de processamento de alimentos à base de alta pressão têm sido utilizadas para produzir alimentos sem a necessidade de adição de conservantes.

Bebidas fermentadas: Na produção de vinhos, cervejas e chás fermentados, como a kombucha, a biotecnologia tem sido uma poderosa aliada. Ela é empregada para otimizar as condições da fermentação, como temperatura, pH e níveis de nutrientes. São utilizados sistemas avançados de monitoramento, com automação, que ajudam a manter condições ideais para a atividade microbiana e, assim, a produção do produto. Também são utilizados aditivos alimentares já mencionados acima, como enzimas, que podem, por exemplo, ser adicionadas para quebrar amidos em açúcares fermentáveis, aumentando seu rendimento geral.

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Apesar dos benefícios, é importante destacar que o uso da biotecnologia na indústria alimentícia ainda é um tema controverso, levantando questões éticas e de segurança alimentar. Por isso, é fundamental que as pesquisas sejam conduzidas de forma cuidadosa, considerando os possíveis impactos ambientais e sociais da utilização de alimentos modificados.

Aplicações da biotecnologia na produção de energia renovável

A biotecnologia desempenha um papel crucial na produção de energia renovável, oferecendo soluções inovadoras e sustentáveis para enfrentar os desafios energéticos globais. Aqui estão algumas das principais contribuições da biotecnologia nesse campo:

  • Produção de Biocombustíveis: A biotecnologia permite a produção de biocombustíveis, como o bioetanol e o biodiesel, a partir de biomassa. Isso inclui o uso de plantas, resíduos agrícolas e até algas. Microrganismos geneticamente modificados podem ser utilizados para converter matéria orgânica em combustíveis de maneira mais eficiente.
  • Processamento de Resíduos: A biotecnologia também é utilizada no processamento de resíduos biológicos para gerar energia. Através da bioconversão, microrganismos específicos transformam resíduos em biogás, que pode ser usado para gerar eletricidade e calor.
  • Melhoria de Culturas Energéticas: A engenharia genética permite o desenvolvimento de culturas com maior rendimento de biomassa, o que aumenta a eficiência na produção de biocombustíveis. Isso inclui a modificação de plantas para crescerem mais rapidamente ou para produzirem mais óleo.
  • Uso de Algas: As algas são uma fonte promissora de biocombustíveis devido ao seu rápido crescimento e alta produtividade. A biotecnologia permite a manipulação genética das algas para aumentar a produção de óleo, que pode ser convertido em biodiesel.

Essas aplicações mostram como a biotecnologia pode contribuir significativamente para a produção de energia limpa e renovável, ajudando a reduzir a dependência de combustíveis fósseis e a mitigar as mudanças climáticas


Biorremediação


A biorremediação, também chamada de remediação biológica, é uma técnica utilizada para minimizar os impactos ambientais causados pela poluição. São utilizados agentes biológicos degradadores, particularmente microrganismos (bactérias, fungos, leveduras, enzimas, etc.), os quais desintoxicam as áreas contaminadas pela poluição.

Com isso, eles removem ou neutralizam diversos poluentes tóxicos (orgânicos e inorgânicos) do meio ambiente, os quais estão presentes nos solos, águas (superficiais ou subterrâneas), dentre outros. O microrganismo utilizado no processo de remediação biológica metaboliza e digere o contaminante. Por conseguinte, ele libera gás carbônico (CO2)e água (H2O).

Um exemplo notório onde a biorremediação pode ser utilizada é na contaminação (dos solos ou recursos hídricos) por petróleo e seus derivados.

Vantagens e Desvantagens

Vantagens

A maior vantagem da biorremediação é que se trata de um processo seguro. Sendo assim, ele não afeta ao meio ambiente ou às populações que vivem nas proximidades. Além disso, é um processo de baixo custo, em comparação as outras técnicas de tratamento de áreas degradadas.

Desvantagens

Muitas das técnicas utilizadas são consideradas lentas. Além disso, o uso de microrganismos que não habitam o local pode trazer um desequilíbrio ecológico.

Tipos de Biorremediação

Há basicamente dois tipos de biorremediação do solo:

  • Biorremediação In-situ: tratamento do material contaminado no próprio local. Ou seja, não é necessário transportar o material. Tem como vantagem o baixo custo e a possibilidade de tratamento de grandes áreas. No entanto, o tratamento é mais lento.
  • Biorremediação Ex-situ: tratamento do material contaminado num local diferente de sua origem. Nesse caso, ela é utilizada quando há risco de propagar rapidamente a contaminação.

Técnicas de Biorremediação

Cada tipo de biorremediação possui diversas técnicas, das quais se destacam:

In-Situ

  • Atenuação Natural: é também chamada de "biorremediação passiva ou intrínseca". Nesse caso, a descontaminação é lenta sendo necessário o monitoramento do local por um longo período.
  • Bioaumentação: uso de microrganismos com alto potencial de degradação dos agentes contaminantes. Essa técnica é utilizada quando o local apresenta grande deterioração.
  • Bioestimulação: estimula-se a atividade dos microrganismos ao se adicionar nutrientes orgânicos e inorgânicos no local degradado.
  • Fitorremediação: estimula-se a atividade dos microrganismos ao se adicionar plantas no local degradado. Essa técnica é geralmente utilizada quando o local está poluído por metais pesados.
  • Landfarming: aplicação periódica de resíduo oleoso com alta concentração de carbono orgânico no local degradado.

Ex-Situ

  • Compostagem: utilizada para tratamento do solo contaminado. Geralmente, o solo é removido do local e colocado em forma de pilhas. Os microrganismos vão transformar a poluição em matéria orgânica, gás carbônico (CO2) e água (H2O).
  • Biorreatores: uso de grandes tanques fechados, onde se coloca o solo contaminado e mistura-se com água. Cerca de 10% a 40% dos resíduos sólidos são suspensos, sendo aerados através do sistema de rotação.

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